Brasil e Estados Unidos fecham acordo de cooperação contra crime organizado

Ministro da Fazenda declarou que parceria deve aumentar troca de informações entre os dois países para combater esses esquemas
     
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal fechou um acordo de cooperação com os Estados Unidos para combate ao crime organizado e aumento da troca de informações entre os dois países. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a parceria envolve a Receita Federal e a agência federal de alfândega e proteção de fronteiras dos EUA — a U.S. Customs and Border Protection.

A ideia é de que o acordo, fechado nesta sexta-feira (10), permita o avanço da cooperação integrada entre as partes, por meio de medidas que envolvam inteligência e inteligência financeira.

O ministro brasileiro comentou que as medidas permitem deixar tanto o Brasil quanto os EUA “mais seguros”. “Hoje marca o primeiro passo relevante depois da conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Donald Trump, no sentido de avançarmos na cooperação em combate ao crime organizado”, disse Durigan.

Um dos programas previstos no acordo vai possibilitar que as autoridades brasileiras e norte-americanas atuem a distância contra alvos, sem necessidade de viagens ou intercâmbios. O “remote targeting”, por exemplo, permitirá aos Estados Unidos avaliar contêineres que saem de portos. A medida visa detectar eventuais armas e drogas que estejam a caminho do Brasil.

“A partir desse primeiro raio-x, dessa formação de imagem bruta, haverá uma informação de inteligência dos Estados Unidos, e as duas serão encaminhadas a distância, de maneira digital e em fluxo contínuo entre os Estados Unidos e o Brasil”, completou Durigan.

Facções criminosas e ‘terrorismo’

Ainda em relação ao crime organizado, a possibilidade de os Estados Unidos classificarem como grupos terroristas facções criminosas brasileiras como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) tem retido a atenção do governo federal no campo diplomático recentemente, devido às possíveis consequências de uma medida como essa.

Atualmente, o PCC e o CV são considerados internacionalmente como organizações criminosas ligadas ao narcotráfico. Caso elas passem a ser classificadas como grupos terroristas pelos EUA, o enquadramento mudaria a forma como o governo estadunidense poderia agir no país, sob alegação de combater esses grupos.

Em nota enviada ao R7, o Departamento de Estado dos EUA informou que o país norte-americano considera organizações criminosas brasileiras, inclusive o PCC e o CV, “ameaças significativas à segurança regional, devido ao envolvimento [delas] com tráfico de drogas, violência e crimes transnacionais”.

“Não antecipamos possíveis designações terroristas nem comentamos deliberações sobre esse tipo de classificação. Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”, informou o órgão à reportagem, no início de março.

Por Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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